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domingo, 19 de fevereiro de 2012

A CRUZ QUE FALOU COM SÃO FRANCISCO

A EXPERIÊNCIA ENTRE AS IMAGENS E O MODO DE ORAR DOS CONSAGRADOS E PADRES MEXE COM QUALQUER CULTURA E É CLARO, NÃO PODEMOS ESQUECER OS ÍCONES, QUE SÃO PORTAS PARA UMA AURA DE CONTEMPLAÇÃO DO MISTÉRIO DOS SANTOS. ESTE PEQUENO TEXTO DE FRADES BENEDITINOS ILUSTRA BEM ALGUNS SIGNIFICADOS POSSÍVEIS PARA AQUELE QUE SERIA O MAIS ENIGMÁTICO DOS ÍCONES, A CRUZ DE SÃO DAMIÃO QUE REPOUSA ATUALMENTE NA BASÍLICA DE SANTA CLARA DE ASSIS, ONDE HÁ MAIS DE 700 ANOS SÃO FRANCISCO DE ASSIS SE ENCONTROU COM CRISTO E TEVE A REVELAÇÃO DE SUA VOCAÇÃO E DE SUA VIDA.

ABAIXO, UMA FOTO DA CRUZ ORIGINAL EM ASSIS NA ITÁLIA E DEPOIS, PROSSEGUE O TEXTO.

CLIQUE NA FOTO PARA AMPLIÁ-LA À SUA RESOLUÇÃO ORIGINAL




Cruz de São Damião

Um artista italiano desconhecido pintou no século XII num pano colado sobre uma madeira de nogueira a Cruz de São Damião Ele possui 2,10m de altura, 1,30m de largura e 12cm de espessura. Provavelmente o Crucifixo permaneceu na Igreja de São Damião até que as irmãs Pobres, em 1257, o levaram consigo à nova Basílica de Santa Clara.
Guardaram-no no interior do coro monástico por diversos séculos. No Ano de 1938, a artista Rosária Alliano restaurou o Crucifixo com grande perícia, protegendo-o inclusive contra qualquer deterioração.
Desde 1958, o Crucifixo original de São Damião está guardado com grande zelo pelas irmãs Clarissas. Ele está sobre o altar, ao lado da capela do Santíssimo, na Basílica de Santa Clara, protegido por vidro, e é visitado por estudiosos, devotos e turistas do mundo todo. É um monumento histórico franciscano e universal.

Teologia da Luz
O grande destaque do Crucifixo de São Damião são os seus enormes olhos. São grandes, brancos, têm linhas pretas e vermelhas acima e abaixo para se destacarem mais.
São olhos de amor, de paz, que se dirigem para todos, mesmo os que estão longe, oferecendo a luz de Deus.
O jovem Francisco deve ter ficado extasiado com tanta luz deste Cristo. É Jesus na Cruz, é Jesus na ressurreição e é Jesus na Ascensão. Sempre luminoso.
Porque ele é “a luz que brilhou nas trevas” (Jo 1,9-10)
A luz do Crucificado fez Francisco olhar para si mesmo e perceber que, lá dentro, tudo era escuridão. Sem que se desse conta, a luz de Deus já fizera com que aprendesse a olhar para dentro.
Então, Francisco orou:
“Sumo e soberano Deus, iluminai as trevas do meu coração. Dai-me uma fé reta, esperança certa, caridade perfeita, bom senso e conhecimento, Senhor, para que eu cumpra o vosso santo e verdadeiro mandamento.
São Francisco orando diante do Crucifixo de São Damião, na concepção artística de Gioto, na basílica do Santo em Assis.
No Crucifixo de Francisco e Clara há o mínimo de Sangue: é o que brota das chagas e nos liberta da obsessão de querermos ser deuses.
É um sangue que se derrama sobre todos, até sobre os Anjos, porque todos precisamos dele, nós que temos uma vida alimentada por seu Corpo e Sangue.
Chamamos a atenção para o fato de que, no ícone de São Damião, o sangue brota sempre como uma flor, que traz vida para o mundo. É um sangue que já não martiriza o Crucificado; enaltece o Ressuscitado.
As chagas dos pés de Jesus derramam o sangue de vida sobre outras pessoas representadas na parte de baixo da cruz. A única ainda identificável é São Pedro, sobre quem Jesus edificou o seu povo novo.
Nesta parte do crucifixo estão representados os Santos da terra, que segundo o evangelho de São João estavam ao pé da Cruz: Nossa Senhora e São João à esquerda, Maria Madalena, Maria mãe de Tiago e o centurião à direita.
À esquerda, em tamanho bem menor, está o soldado São Longino, que teria dado a lançada em Jesus.
A direita há outra figura pequena, em que alguns vêem um sumo sacerdote, em atitude petulante, provocando Jesus para descer da cruz.
Maria Madalena tem a cabeça quase encostada com a da outra Maria, porque lhe confia um segredo ou porque comentam a ressurreição, de que foram as primeiras testemunhas.
Maria, mãe de Tiago representa todo o grupo de mulheres que sempre seguiram Jesus e cuidavam dele. Muitas delas estavam ao pé da cruz.
O centurião não tem auréola. Por alguns é interpretado como o centurião que comandou a crucifixão de Jesus e mostra três dedos porque reconheceu a Deus depois da crucifixão. Para outros é o centurião bondoso cujo filho Jesus curou.
Detalhes: um galinho e uma fogueirinha poderiam estar indicando que a figura abaixo é São Pedro, que negou Jesus junto à fogueira e ouviu o galo cantar. Foi testemunha da ressurreição.
As conchinhas, que cercam todo o ícone, eram símbolos da vida eterna, porque costumam ser bonitas e duráveis. Parece que foram acrescentadas à tábua original.
Nos dois extremos horizontais da cruz de São Damião, estão duas figuras semelhantes, que se dirigem a Jesus. Há discordância na sua interpretação. Alguns vêem dois anjos, que estariam no túmulo quando Maria Madalena e a outra Maria foram preparar o corpo de Jesus com mirra e foram as primeiras testemunhas da ressurreição.
Outros, como nós, vêem as santas mulheres. Os ícones da ressurreição costumavam representar as “myrrophores”, isto é, as que levavam mirra.
O Cristo de São Damião não está morto, É o Cristo que, morrendo, venceu a morte. Por isso, não tem coroa de espinhos, derrama o sangue, mas não está todo ensangüentado, tem os pés bem plantados, os cabelos bem arrumados e os braços em posição de oração.

Na iconografia síria, de onde é originado este crucifixo, a ressurreição era simbolizada por um caixão aberto. Por isso, ele também repousa sobre um fundo negro, mas, todo luz, é vencedor da morte.
Um sinal da vitória e da ressurreição neste ícone é o pano que reveste Jesus: Sua construção é bem elaborada, com um nó caprichado e debruns de ouro. De fato, os crucifixo mais antigos costumavam representar Jesus com paramentos sacerdotais e até mesmo com vestes régias, usando uma coroa de ouro na cabeça.
Jesus está dentro de um círculo vermelho. É nosso mundo. Jesus está saindo dele: seus pés, um acima do outro demonstram que está subindo. Como está com a cabeça e a mão direita fora do círculo, está saindo do nosso mundo. Chegando junto aos santos e ao meio-círculo da Trindade, está entrando no mundo do mistério, que ainda temos que descobrir para ir tendo vida plena.
No alto da Cruz, três círculos se sucedem, diminuindo de baixo para cima. O Crucificado-Ressuscitado é o maior e mais próximo. O da ascensão já menor, porque está mais longe. O do Pai e do Espírito Santo, além de ser o mais afastado e, por isso, menor, contém só a metade de baixo.
Nós não vemos o Pai e o Espírito Santo, porque eles são comunicados na Palavra, que é Cristo, o Filho. Sobre o Pai e o Filho, só sabemos o que o Cristo revelou, e há muito mais – toda uma outra metade, para nós ainda virmos a conhecer.
Sob a mão direita de Jesus, dois anjos parecem conversar, fazendo gestos de admiração. Devem estar comentando o amor imenso de Jesus pela humanidade, pois deu sua própria vida por ela.
Mas também podem estar comentando que a crucifixão e ressurreição de Jesus tiveram resultado muito maiores, pois o sangue da mão direita, brotando da chaga como uma flor, também cai sobre eles.
Sob a mão esquerda de Jesus, outros dois anjos equilibram os seus companheiros do lado esquerdo.
Dá para observar que esse braço da cruz está fora do alinhamento. Talvez queira mostrar que em nossas vidas sempre há um lado “esquerdo”, falho.
O encontro com o crucifixo de São Damião foi a maior transformação na vocação inicial de São Francisco. Ele passou a ver a presença do Crucificado em toda parte.
Por isso rezava sempre quando encontrava uma cruz:
“Nós vos adoramos, santíssimo Senhor Jesus Cristo, aqui em todas as vossas igrejas que estão em todo o mundo, e vos bendizemos, porque, pela vossa santa cruz, remistes o mundo”. (1Cel 45)
O Crucifixo que São Francisco e Santa Clara encontraram na igreja de São Damião iluminou as suas vidas e até hoje traz a luz de Deus para muitas pessoas!

Fonte: Texto: Frei José Carlos Corrêa Pedroso, OFMCap
Montagem: Irmã Magali Gavazzoni FCM e Frei Cícero Araújo da Silva - OFMCap


TEXTO EXTRAÍDO DO SITE:
ÚLTIMO ACESSO EM 19/02/2012

FOTOGRAFIA EXTRAÍDA DO SITE
ÚLTIMO ACESSO EM 19/02/2012

JAVÉ, JÁ VOU, JÁ VAMOS

Nesta postagem especial de carnaval, vamos relembrar o sentido do semeador que está em todos os retiros e missas celebradas neste período do ano. Rezemos por todos os que caíram na folia, sempre respeitando sua decisão e rezando para que retornem com a mesma energia à vida cotidiana e nós, recarreguemos a nossa Fé em Deus Salvador com mais esta pérola que só o Blog "A Arte Católica de Mossoró" traz prá você direto do passado.


JAVÉ, JÁ VOU
Antônio Fracisco Maciel

Um homem semeia a dor, outro recolhe a cantar
Aquele é o plantador, este é o que vai ceifar
Chegou a hora, o presente é o tempo de se começar
Eu vou agora, o futuro dá fruto se hoje eu plantar

Eu tenho um caminho, a vida
E tenho a verdade, a fé
Eu tenho esperança nascida
Na forte mão de Javé

Eu tenho a rede, o barco
E tenho um mar diferente
As montanhas da vida eu escarpo
Vou ser pescador só de gente

Não preciso de muita bagagem
Nem línguas estranhas falar
O perdão é a minha mensagem
Nos caminhos por onde eu andar

Se a terra já está preparada
E o trigo querendo nascer
Vou deixar minha arquibancada
De paz plantador quero ser



Extraída do LP "Caminheiro"
P. 1980 Paulinas-COMEP
Sem tentativa de infração à gravadora, apenas caráter evangelizador

sábado, 18 de fevereiro de 2012

ALGUNS REGISTROS DA PASSAGEM DA CRUZ DOS JOVENS POR MOSSORÓ

ESTAÇÃO DA MORTE DE CRISTO, AO FUNDO A CASA DO PROJETO ESPERANÇA

MOMENTO DE REFLEXÃO

MULTIDÃO PASSANDO A CRUZ À FRENTE DA ESTAÇÃO 

O ÍCONE DE NOSSA SENHORA
  
NOSSO SENHOR MORTO 

MÃOS PARA A MISSÃO 

ALLAN PHABLO, GRANDE COLABORADOR DESTE BLOG E PE. RICARDO RUBENS, AMBOS CONSAGRADOS DA COMUNIDADE CATÓLICA SHALOM 

AMBIENTE PREPARADO PARA RECEBER E EXPOR O SANTÍSSIMO

 DETALHE DA MESA

JOVENS 

A CHEGADA A CRUZ 

A CHEGADA DO ÍCONE 

O ÍCONE CAMINHA 

A CRUZ LEVANTADA 

MULTIDÃO DURANTE A MISSA 

ATO PENITENCIAL 

HOMILIA

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A LONGA JORNADA DO MODELO DE CRISTÃO

Ontem, dia 16 de Fevereiro de 2012 foi uma noite para ninguém se esquecer. Jovens armados de fé até os dentes e com coragem suficiente para enfrentar além de uma noite inteira de vigílias uma forte chuva que resistiram com a garra de jovens extremamente católicos. Para começar, a “Cruz dos Jovens” doada pelo saudoso Papa João Paulo II em 1984 a jovens de Roma que no ano seguinte iniciaram junto com ele a Jornada Mundial da Juventude, o movimento que percorre a cada dois ou três anos um país do mundo preparando o congresso definitivo em presença do papa. Segundamente acompanhado por sua “Mãe”, um ícone de Nossa Senhora também roda o globo em peregrinação desde 2003, também ofertado pelo Papa João Paulo II, desta vez já integrado ao movimento das Jornadas. Neste ano de 2012, a cruz e o ícone preparam o caminho para a próxima Jornada, no Rio de Janeiro em 2013. Estes símbolos representam a fé que Cristo quer ver nos jovens, pois assim com o Cirineu, carregam a Cruz de Cristo (Lc 23, 26), só que voluntariamente, o que reforça os laços com Deus; com o enfoque na mensagem do Papa João Paulo II, cujas palavras foram retransmitidas por Dom Mariano “A cruz deixa de ser um espetáculo triste de dor para ser um espetáculo de esperança” ¹. e o ícone de Nossa Senhora nos lembra a entrega de Cristo de Nossa Senhora a São João (Jo 19, 26). Com o adento do movimento “Bote Fé” em Natal-RN, por onde os símbolos começariam a circular no Brasil, com espetáculos e shows inclusive gravados, a juventude potiguar já pode se considerar privilegiada. Cruzando o estado, os símbolos chegaram a Mossoró e aqui, pode-se ter certeza, eles fizeram história. De 1983 quando foi talhada para cá, ela guarda ainda a mesma serenidade que o Papa João Paulo II costumava ser, o que se comprova em quem teve fé ao tocá-la pela primeira vez. Particularmente, o gesto de tocar a cruz me deu um momento de paz de espírito interior que eu nunca havia sentido antes. Na procissão, algumas poucas pessoas a princípio que foram se multiplicando a cada estação da Via-Sacra. Em um dado momento, está aí a parte da história que vale a pena ser contada: Num determinado momento da caminhada, não muito distante do início, caiu uma chuva pesada e difícil de se atravessar. Não sei se essa chuva diminuiu de volume ou se engrossou mais ainda, pois não estava presente neste pedaço do caminho, só sei que a coragem dominou seus corações e eles esqueceram o empecilho de seus corpos ainda secos e o peso de suas roupas já encharcadas e pesadas e caminharam debaixo de chuva protegendo os símbolos. Muita gente comentou e eu já ouvi na manhã desta sexta (17) que foi um ato impensado, e realmente o foi, mas acima de ato impensado, foi um exemplo a ser seguido, como diz Pe. Zezinho SCJ, “Parar nunca, tô me arrastando, mas tô indo!” ². A fé não se perde, não se modifica, não se destrói, simplesmente se multiplica e transforma quem dela faz uso. Como eu estava em aula da faculdade no momento da chuva, não pude ver com meus olhos, porém acredito nos relatos e testemunhos de quem esteve ao meu lado a partir da Igreja de São José, o grande amigo e irmão Allan Phablo que na segunda metade do ano passado (2011) foi o responsável por me revelar de volta a realidade que eu havia perdido sobre a Mãe Igreja, e agradeço muito a Deus por existir jovens como ele. Os símbolos percorreram normalmente, só que um pouco mais lentamente depois da chuva devido ao peso das roupas dos jovens que estavam encharcadas e agora pesavam o dobro. Mas isso não foi motivo nem para se abaterem, nem para desistirem, já haviam chegado até ali e não iriam desapontar a Cristo numa altura daquelas. Saíram peregrinando normalmente chamando a atenção de quem estava nas calçadas e atraindo cada vez mais jovens para o cortejo. Uma das maiores demonstrações de fé foi minha mãe que esperava na São José como tantas outras pessoas e escutando os fogos, deu a volta no contorno da Matriz em procura do Santuário da Mãe Rainha e ao chegar lá, a cruz e os jovens que a levavam na caminhada já dobravam a esquina para entrar na Rua Venceslau Braz, perpendicular à Campos Sales. Minha mãe correu tanto para alcançar a cruz que só parou quando voltou ao lugar de onde havia saído, a Praça da São José, onde conseguiu finalmente tocá-la. Alguns minutos com a narração da Estação da Morte de Cristo, uma pequena representação da cena foi organizada e ficou exposta até que as orações terminassem para darem continuidade à caminhada. Já integrado ao corpo do cortejo, caminhamos até a Central de Abastecimento de Mossoró, conhecida popularmente como “A Cobal” onde foi contemplada mais uma estação. Recomeçamos a caminhada seguindo para a “Avenida Dix-Sept Rosado” onde nos aguardava mais uma estação antes da última parada, a Catedral que em sua última estação trazia o Cristo Ressuscitado perfeitamente situado no parapeito da janela principal. Vale ressaltar que me enchi de orgulho ao ver durante essa travessia o Senhor Bispo Dom Mariano Manzana caminhando junto com os jovens à frente do movimento sem jamais desfalecer ou parar, nem para tirar fotografias, cujas pessoas tinham que tirar em movimento. Ao chegarmos à Catedral, toda a procissão enfim pareceu diminuir, é que a chuva estava voltando a cair fina, porém ainda dava para segurar. Enquanto o Bispo terminava a oração para encerrar a caminhada, fomos caminhando eu, Allan, minha mãe e meu padrasto para o Colégio, onde já nos aguardava uma parte da procissão que estava sendo “aquecida” pela banda da Comunidade Católica Shalom. Parte da estrutura da missa já estava pronta, inclusive o espaço para adoração ao Santíssimo, que seria utilizado após a missa durante toda a vigília num recanto tranquilo do ambiente. Ao chegarem Dom Mariano e os jovens na procissão, foi dado início à Celebração com canções que utilizavam ritmos diferentes para conquistar os jovens e de fato conseguiram. Jovens pulando e louvando a Deus não faltaram nas vistas de quem estava na quadra, aquilo é que era juventude. Na homilia, como já dito acima, Dom Mariano enfatizou a mensagem de João Paulo II em 1984 na entrega da cruz aos jovens. Contando sempre com amigos e conhecidos no recinto tive a grata surpresa de encontrar durante a caminhada Wanderley Segundo, que faz o mesmo curso de Ciências Sociais na UERN e que esta semana tive a experiência de ver uma reunião de um grupo de orações do qual ele faz parte, tive a grata satisfação de passar por eles quando rezavam uma Ave Maria da qual saí também recitando o resto da oração, uma velha conhecida de outras missas, Mariana Hellen que desde a época em que estude no Colégio que eu não via e Jefferson Luan (se não for assim, desculpe-me, mas faz muito tempo) da minha antiga turma de preparação de Crisma lá na Obra Nova que eu deixei quase na metade. Gostaria de salientar que também encontrei de novo Pe. Augusto Lívio (costumeiramente apontado por alguns fieis na Catedral como parecido comigo ou parente meu) antes da Adoração, e foi nesta parte em que eu retornei à minha casa. Allan ficou por lá até de manhãzinha, pois relatos hoje (17) à tarde indicam que foi dormir às 7h30 além de ter esperado a cruz e o ícone seguirem para Sobral no Ceará, que será a próxima parada deles neste sábado (18) e depois na terça-feira de carnaval na cidade de Limoeiro do Norte, também no Ceará. Pois é, eu nunca me senti tão vivo, embora do meu jeito introspectivo, porém com pensamentos elevados a Deus, espero sempre um próximo que seja tão abençoado como este e fui dormir com a bênção dos justos. Depois da missa, o show ficou por conta da cantora, consagrada Shalom, Suely Façanha. Antes do show, o Santíssimo foi transladado para o espaço preparado nas mãos do Bispo e sob a forte voz de um coro jovem com a música “Força e Vitória”, da cantora da Canção Nova, Eliana Ribeiro, que já é um sucesso entre os católicos. Faça se possível uma oração por esses jovens, pois eles têm nas mãos a maior das armas, que ao contrário das armas que matam, fazem viver e edificam uma pessoa, seja ela fervorosa como o Allan o uma pessoa meio-termo como eu que me senti pela primeira vez um cristão de verdade. Uma Boa Oração para você e uma boa Jornada em 2013 para os que se encontrarão com o Papa Bento XVI.

Pedro Augusto de Queiroz
Bacharelando do 4° Período de Ciências Sociais da UERN


Referências:

¹ Trecho da Homilia proferida por Dom Mariano Manzana na Missa da Cruz dos Jovens. Mossoró/RN, 17-02-2012.

² ZEZINHO SCJ, Pe. Quando a Tristeza Chegar. São Paulo, Paulinas-COMEP, 1995, Fita K7.

APRENDIZADO, VIDA, PAZ E FÉ

O domingo, dia 12 de Fevereiro de 2012, antecedente do Domingo de Carnaval, foi marcado por lições de vida, lições de fé, de aprendizado e de amizade. Primeiramente, como sempre o acolhimento dos fieis em concentração no Portal do Saber às 7:00 da manhã. A caminhada saiu depois de uma cantoria animada de louvores e orações. À frente, um exemplo de força, um cadeirante, cujo nome não me foi informado, mas a quem passo a bandeira da coragem por conduzir a imagem de Mãe Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt numa cadeira de rodas. No meio do caminho, um rapaz que chegou no momento, o ajudou relembrando, no bom sentido (obviamente), a passagem do Simão Cirineu no Evangelho de Lucas (Lc 23, 26). A caminhada chegou à Igreja (Velha) de Nossa Senhora de Fátima no Abolição II sob aplausos deles mesmos e sem muito alarde a não ser por quem estava ou morava ali por perto. Sendo o propósito principal do encontro fortalecer a Fé em Cristo Jesus e em Nossa Senhora, o lema principal do encontro era “Oração, Conversão e Evangalização/Apostolado”, sendo pautado a todo momento por Pe. Severino que agradeceu primeiramente ao abrir a igreja para o grupo que se aproximava. Primeiramente agradecendo a presença de tantos fieis, o Frei Edson abriu o espaço para as discussões que dariam àquela manhã uma aura de espiritualidade extrema. Fazendo quase que ao contrário das demais viagens e encontros em outras cidades, o “desjejum partilhado” foi servido depois de uma rápida recepção por parte de Raniere, o coordenador diocesano que referiu também algumas palavras após a refeição de todos. A lojinha, comandada por Maria Augusta e Maria Fernandes chamava a atenção pelos produtos e perceptivelmente atraía compradores de todas as zonais, como atestavam as camisas-uniformes que eles usavam. Quando todos voltaram ao interior da Matriz, logo se percebeu que estavam com sede de conhecimento e de estímulo para continuar a buscar Deus. Como dizia uma conhecida música de um padre natalense gravada em LP em 1980 pelas Edições Paulinas, “Fala Senhor, Estou aqui, Senhor, pois Tu és nosso Libertador” ¹, esta estrofe nos recorda bem a falta que nos fazia de estímulo para começarmos um domingo de lições. Primeiramente, Raniere, começou enfatizando sobre a presença das zonais e parabenizou aos dois convidados especiais do Terço dos Homens que vieram da Arquidiocese da capital Natal, João Pinheiro e João Cláudio. Para um deles inclusive, tive a honra de além de passar a manhã inteira no banco posterior ao que estava sentado, ainda estar propiciamente perto para o momento do Abraço da Paz de Cristo ao final do encontro. Convidado para ser acólito na missa, um dos dois ficou na lateral do altar. Segundamente, um dos integrantes da equipe da própria igreja, deu seu testemunho que emocionou pela segunda vez (a primeira havia sido em Pau dos Ferros no ano anterior), e eu particularmente percebi duas mulheres em destaque na primeira porta lateral direita, a que dava para o pátio onde havia sido servido o café da manhã. Uma, aparentando idade ouvia atentamente as palavras e se emocionava ao ver tamanha vitória e a segunda, externando esse sentimento, vertia lágrimas de emoção, pelo que pude notar quando ele desceu do altar, as duas pareciam ser sua mãe e esposa, mas tenho minhas dúvidas, além de total ignorância quanto à situação por estar observando à distância. Seu depoimento falava de sua superação quanto ás drogas e a sua relação familiar. Recebeu muitos aplausos por parte da assembleia e se emocionou ao descer para abraçar essas duas mulheres à porta. Também recebeu várias congratulações dos amigos e dos diferentes integrantes das mais diferentes zonais visitantes. Em dado momento após esse depoimento, fotografei o pequeno, porém acolhedor espaço que serve de sacrário para a Eucaristia. Localizado á direita do altar, abriga em seu interior algumas cadeiras, médias janelas estilizadas em vidros coloridos além da porta de vidro espelhada, o que garante pelo menos discrição aos confessionários do lado esquerdo do altar e aos contemplantes que nesta saleta entram. O ambiente abriga um ícone ortodoxo de Nossa Senhora ao centro da visão da sala, assim que entrei, senti uma presença de Paz e de oração constante ecoando pelas paredes como nunca senti. Dá vontade de ficar ali o dia inteiro, pela calma e pelo silêncio que aquele lugar emanava. Dentro, os músicos que dariam vida ás canções na missa ensaiavam num tom de relaxamento e a baixos tons de amplitude de som, eu pude perceber pelos poucos segundos naquela sala, o ambiente que transmite Paz a quem procura falar com Deus e recomendo aos que se sentem atribulados e sem Paz, e até a quem já é da própria Igreja e nunca a viu. Mediante outros dois depoimentos advindos da coordenação, um pequeno intervalo foi programado e depois, começava assim a parte mais importante do dia, a celebração. Pe. Severino e a equipe de liturgia, nas leituras nos lembraram (e novamente aqui nos artigos) a Campanha da Fraternidade deste ano, que reflete a saúde pública do Brasil. Já está mais do que claro que este ano está pautado na saúde não só física, porém espiritual do brasileiro. Em sua homilia, Pe. Severino nos ensinou duas coisas que dificilmente irei esquecer, primeiramente, que todos nós do Terço lembramos (no bom sentido) os sapos popularmente conhecidos como “cururus” que são inofensivos e ao mesmo tempo evitados por todos, assim somos nós, somos os que mais precisam rezar, não só por nossas almas e por nossa conversão, mas também pela conversão do mundo ao nosso redor. A princípio estranhamos essa comparação, só que nós esquecemos que todo sapo injuriado, no fundo esconde a alma de um príncipe esperando a hora de acordar para a vida. Sua comparação nos indicou a concepção a seguir, que somos os “Príncipes de Nossa Senhora” que esperam o chamado dela para acordar para a missão. Segundamente, o que nos chamou a atenção foi a maneira de rezar um terço todos os dias e nem perceber (justa e obviamente sendo levado á prática e hábito constante). O sistema seguido por ele é simplesmente dividir o dia em 5 momentos para contemplação dos mistérios. O primeiro mistério, indicado para a hora em que se acorda, depois de agradecer a Deus a graça de mais um dia, é que se reze em intenção daqueles que lhe fizeram mal. O segundo, rezado em algum outro momento antes do meio-dia tem sua intenção voltada para aqueles que foram ofendidos por você. O terceiro mistério, indicado para o momento de convivência do almoço ou após, é rezado em intenção das autoridades políticas e religiosas, ou seja, pelos prefeitos, vereadores, governadores, padres, bispos, seminaristas e pelo Papa. O quarto mistério, indicado para algum momento entre o anoitecer ou depois das seis da tarde é rezado em intenção da instituição mais importante do sistema da vida, a família. O quinto e último mistério, rezado antes de dormir, é rezado em intenção das pessoas que lhe fizeram bem agradecendo por elas existirem e nunca esperando retribuição. Este método é muito flexível quando se trata de pessoas que não sentem tempo para rezar ou simplesmente não têm paciência de rezar um rosário inteiro de uma vez só. Por fim, antes do final da missa, os coordenadores das diferentes zonais se reuniram e deram a palavra de encerramento fechando com um poema do “Poeta do Terço dos Homens”, Leandro e com a bênção proferida por Pe. Severino. Ao final da celebração e do fechar das portas da igreja, foi servido o almoço e fartou-se quem quis. Ainda me pergunto quem, ao comer, pensou naqueles que nada tinham àquela altura do dia para se alimentar, sendo também uma das preocupações de Pe. Severino quanto ao desperdício do alimento servido. Encerrarei deixando um desejo para os próximos encontros do Terço dos Homens: eu particularmente gostaria de gravar as homilias, que desde a viagem a Caraúbas me ensinam cada vez mais sobre a vida e se possível lança-las em áudio, em CD, em vídeo ou em qualquer outro meio de comunicação acessível às grandes mídias, como diz o Pe. Zezinho SCJ, “sejamos comunicados e comunicadores”. Com tantas lições fica difícil encerrar este artigo, mas vejo que já contei o principal, então a quem é do Terço, coragem e persistência, e a quem não faz parte do movimento e tem curiosidade, fica aqui o convite e sinta-se muito bem vindo nem que seja para um dia só, mas garanto que deste dia, seu coração aceitará o convite de Nossa Senhora sempre ao lado de Seu filho, pois como dizia Antônio Cardoso em seu LP de 1981, “Ó minha mãe de Nazaré, tá faltando muita fé prá poderem Te aceitar” ². Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo, para sempre seja Louvado.

Pedro Augusto de Queiroz
Bacharelando do 4° Período de Ciências Sociais da UERN


Referências:

[1] CAMPOS, Pe. José Freitas. Estou Aqui, Senhor. In: ______________. OS PREFERIDOS DE DEUS. Interpretação Vocal: Jessé e Coral Edipaul, São Paulo, Edições Paulinas Discos, 1980, LP.

2 CARDOSO, Antônio. Maria Mulher. In: ______________. HISTÓRIAS DA GENTE. São Paulo, Panorâmico (Edições Paulinas Discos), 1981, LP.